sexta-feira, 6 de outubro de 2017

JESUS–Transformação e Vida

JESUS TRANSFORMAÇÃO E VIDA

 

01. JESUS, Transformação e Vida, é o tema da campanha de Missões Nacionais neste ano de 2017. Um tema muito sugestivo, porque, de fato, Jesus tem transformado e dado vida a muita gente em todos os tempos. Exemplos “fortes”, isto é, exemplos de transformação de pessoas que, até aos olhos da sociedade em geral, estavam completamente “atoladas” no pecado ou numa situação de vida deplorável, existem aos milhares (ou milhões... ou bilhões, se levarmos em conta todos os séculos desde a primeira vinda de Jesus). Transformados e vivificados todos os alcançados pela graça fomos, mas existem aqueles exemplos que aos olhos da sociedade são mais “fortes” (o que não é vantagem nenhuma – dou graças a Deus por ter sido criado no evangelho e nunca ter me envolvido com coisas que pela sociedade são fortemente combatidas).

02. Quantos exemplos destes temos no NT? Vamos relembrar alguns?

a.    Que tal o endemoninhado Gadareno? Pode ser um exemplo?

b.    Que tal a prostituta que ungiu os pés de Jesus? Pode ser um exemplo?

c.    Que tal a mulher que foi pega em flagrante adultério? Pode ser um exemplo?

d.    Que tal Zaqueu? Pode ser um exemplo?

e.    E quem mais?

03. E fora da Bíblia muitos são os exemplos de pessoas que têm sido transformadas e vivificadas em todos os tempos. Hoje são muitos os exemplos que têm sido divulgados pela nossa JMN. Haja vista os resgatados das cracolândias.

04. Mas não precisamos ir longe, aqui mesmo em nossa igreja temos os nossos exemplos.

05. Jesus é, de fato, transformação e vida. Tema, portanto, altamente sugestivo. Poderia até continuar por mais alguns anos.

06. E o texto que tem servido como divisa também é muito sugestivo. Apenas o verso 11 de Tito 2 foi utilizado, mas para nossa reflexão hoje gostaria de utilizar até o verso 15. Leiamos o texto:

 

11 ¶ Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, 12  ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente, 13  aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo, 14  o qual se deu a si mesmo por nós, para nos remir de toda iniquidade e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras. 15 ¶ Fala disto, e exorta, e repreende com toda a autoridade. Ninguém te despreze.” (Tito 2:11-15 RC)

 

07. Agora pensemos por um instante em algumas coisas que encontramos aí no texto.

08. A primeira é a salvação:

 

I.       SALVAÇÃO – Jesus nos salvou

 

“... a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação...”

 

01. Mas o que é essa salvação?

02. Assim lemos em Efésios 2.1-7: “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que, noutro tempo, andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que, agora, opera nos filhos da desobediência; entre os quais todos nós também, antes, andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça, pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus.” (Efésios 2:1-7 RC)

03. Isto é salvação!

04. Essas pessoas do texto de Efésios:

a.    Eram pessoas mortas. Obviamente, espiritualmente mortas, o que significa que eram pessoas que estavam longe de Deus;

b.    A razão de estas pessoas estarem longe de Deus era "ofensas e pecados";

c.    Estas "ofensas e pecados" consistiam do fato de que elas "andavam", isto é, "construíam o seu caminho" neste mundo, não segundo Deus, mas segundo:

                                  i.    O próprio mundo – os costumes do mundo;

                                ii.    O príncipe das potestades do ar;

                               iii.    O espírito que opera nos filhos da desobediência;

                               iv.    Os desejos de sua própria carne;

                                v.     Os seus próprios pensamentos.

d.    Por causa disso, essas pessoas eram, por natureza, "filhos da ira", isto é, eram pessoas sobre as quais estava não o favor, mas sim, o juízo de Deus, e estavam prestes a serem precipitadas num lugar a que a Bíblia se refere, para indicar o caráter terrível e temível do mesmo, como "fogo do inferno", "lago de fogo" e "segunda morte", um lugar de terrível dor e sofrimento eternos;

e.    "Mas Deus..."

                                  i.    que é riquíssimo em misericórdia,

                                ii.    pelo seu muito amor com que nos amou,

                               iii.    estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),

                               iv.    e nos ressuscitou juntamente com ele,

                                v.    e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus;

                               vi.    para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça, pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus.

05. Isto é salvação!

06. Mérito nosso? NÃO!!! Graça de Deus!!!

07. Augustus Nicodemus, em “Livres em Cristo: a mensagem de Gálatas para a igreja de hoje”, demonstra a verdade de que “... a salvação não pode vir do homem; ela vem de cima para baixo. Deus é quem salva, do começo ao fim. É Ele que intervém e sai em busca do pecador, porque o ser humano não tem condição por si mesmo de cumprir de modo perfeito nenhum código religioso ou moral, ainda que estabelecido pelo próprio Deus. Portanto, nenhum homem conseguirá ser perfeito ou alcançar um nível de obediência que o torne aceitável diante da divindade... [Sendo assim, conclui-se que] ... o evangelho, definitivamente, não é para gente boa, para justos, mas sim para pecadores que reconhecem que não podem salvar a si mesmos. Cristo veio ao mundo para salvar pecadores. O descendente de Abraão, o Filho de Deus, Jesus Cristo, tem poder suficiente para salvar o mais vil pecador. A salvação é unicamente pela graça de Deus, não pelo mérito humano”.

08. JESUS nos salvou! JESUS, Transformação e Vida, pela graça nos salvou, pela graça transformou o nosso relacionamento com Deus, pela graça transformou ou nosso caminho de perdição em caminho de salvação. (Glória a Deus? “O irmão tem glória aí?” – diria o pentecostal)

09. A segunda coisa que quero destacar no texto é a remissão:

 

II.     REMISSÃO – Jesus nos remiu de nossas iniquidades

 

“... se deu a si mesmo por nós, para nos remir de toda iniquidade...”

 

01. É interessante essa palavra de Paulo nesse contexto, porque ele estava dizendo a Tito para exortar aos “servos” a que em tudo fossem sujeitos a seus senhores (veja o verso 9). Servos aí é tradução da palavra “doulos”, que significa literalmente “escravo”. E, sendo o significado de remir “libertar mediante o pagamento de resgate”, então Paulo estava se utilizando de uma “linguagem” que eles conheciam muito bem, para dizer que, da escravidão do pecado, Cristo nos remiu, e o preço de tal remissão foi ele se dar a si mesmo, isto é, foi a sua morte na cruz. Ele se deu a si mesmo “por” nós – em nosso lugar ou para o nosso benefício.

02. O pecado é como um “Egito” que prende os homens na servidão. Mas há livramento para nós porque Jesus pagou o preço do nosso resgate.

03.  Veja outros textos que mostram isso:

 

“.... justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Romanos 3:24 RC)

 

“Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” (Efésios 1:7 RC)

 

 “... em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados” (Colossenses 1:14 RC)

 

 “... o qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos...” (1 Timóteo 2:6 RC)

 

“... nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção.” (Hebreus 9:12 RC)

 

04. Agora algo interessante que talvez precisemos considerar: A QUEM JESUS PAGOU O PREÇO DE NOSSO RESGATE?

05. Quero considerar essa questão por causa de uma história que circula por aí. Veja:

 

Um dia Jesus e Satanás estavam conversando e Jesus perguntou a Satanás o que ele estava fazendo para as pessoas aqui na terra. Ele respondeu: Estou me divertindo com elas, ensino a fazer bombas e a matar, a usar revólver, a odiar umas a outras, a casar e a divorciar, ensino a abusar de criancinhas, ensino a jovens usar drogas, a beber e fazer tudo o que não se deve!

Jesus perguntou: e depois o que você vai fazer com eles? Ao que satanás respondeu: Vou matá-los e acabar com eles!

E Jesus perguntou: Quanto você quer por eles?

Satanás respondeu: Você não vai querer essas pessoas, elas são traiçoeiras, mentirosas, falsas, egoístas e avarentas! Elas não vão te amar de verdade, vão bater e cuspir no Teu rosto, vão te desprezar e nem vão levar em consideração o que você fizer!

Quanto você quer por elas, Satanás? Insistiu Jesus.

Satanás respondeu: Quero toda a tua lágrima e todo o teu sangue!

Trato feito! E... Jesus pagou o preço da nossa liberdade!

 

06. Daí colocam essa história em Powerpoint com fundo musical dramático ou narram em vídeo com fundo musical e acrescentam um apelo para que você compartilhe sob pena de “queimar mármore do inferno” se não compartilhar.

07. Mas onde, pergunto, onde está escrito que foi a satanás que Jesus pagou o preço de nosso resgate? Em lugar nenhum! E essa história é uma tremenda de uma heresia, porque apesar de presos nas garras de satanás, nossa dívida era com Deus e foi a Deus na pessoa do Pai a quem Cristo pagou o preço do nosso resgate.

08. JESUS, Transformação e Vida, nos remiu de toda iniquidade; se deu a si mesmo para pagar o preço do nosso resgate.

09. A terceira coisa a considerar no texto é a purificação:

 

III.   PURIFICAÇÃO – Jesus nos purificou para que pudéssemos ser seu povo

 

“... purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras...”

 

01. A remissão do pecado é seguida pela purificação para que sejamos “povo seu especial (ou povo exclusivamente seu), zeloso de boas obras”.

02. Purificar é o mesmo que santificar. A santificação está em pauta. E o objetivo da santificação é nos tornar cada vez mais semelhantes a Cristo (Romanos 8.29). E ser semelhante a Cristo é não somente ser separado do pecado, mas também ser dedicado a Deus.

03. JESUS, Transformação e vida, pelo seu sangue nos purificou para que pudéssemos ser povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras, um povo que vive neste presente século:

a.    sobriamente – desprendido de o que quer que seja deste mundo

b.    justamente – como deve viver alguém que recebeu a retidão de Cristo

c.    e piedosamente – reverentemente diante de Deus e para com Deus

d.    renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas.

04. Em quarto lugar quero considerar a esperança:

 

IV.  ESPERANÇA – Jesus nos deu uma bem-aventurada esperança

 

“... aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo...”

 

01. Malaquias 4.1-6 fala sobre o Dia do Senhor e a volta de Cristo. O verso 1 diz que “aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que comentem impiedade, serão como palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará raiz nem ramos”. Bem, aqueles que foram transformados por Jesus não estão nesse grupo, estão no outro, o do verso 2: “Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, e cura trará nas suas asas; e saireis e saltareis como bezerros da estrebaria”.

02. Pedro, em sua segunda carta, capítulo 3 e versículo 10, profetiza dizendo que “o dia do Senhor virá como o ladrão de noite, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão...” Mas no verso 13 ele diz: “Mas nós, segundo a Sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra”.

03. Na primeira carta, logo no capítulo 1, versos 3 a 9, Pedro assim se expressa: “ Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,  para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros  que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo.  Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações,  para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo;  a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória,  obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma.” (1 Pedro 1:3-9 RA)

04. Escrevendo aos Efésios, Paulo, no capítulo 2, fala de um tempo em que andávamos segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar que opera nos filhos da desobediência, nos desejos da nossa carne, e que éramos, nesse tempo, por natureza, filhos da ira. Mas nesse tempo, quando estávamos mortos nessas ofensas e pecados, Deus em Cristo nos vivificou. A partir do verso 4, até o 7, veja o que ele diz: “ Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,  estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),  e nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus;  para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça, pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus.”

05. Em Apocalipse contemplamos a perdição dos homens ímpios, porém, muito mais do que a perdição dos homens ímpios, contemplamos a glória de Jesus em sua vinda e a bendita esperança para aqueles que por ele foram transformados: Verão a Jesus e serão por ele apascentados para as fontes de águas vivas; nunca mais terão fome, nunca mais terão sede, nunca mais terão dor e todas as lágrimas de tristeza que choraram serão enxutas; não haverá mais morte nem pranto nem clamor e nas suas testas estará escrito o nome do Cordeiro e com ele reinarão para todo o sempre.

06. JESUS, Transformação e Vida, nos deu uma bendita esperança; transformou a nossa desesperança em esperança bendita, a esperança de que Cristo voltará, desta vez não em humilhação, mas em glória, e fará por nós muito mais do que imaginamos ou pensamos. (“Glória a Deus?”)

07. E em quinto e último lugar destaco a missão:

 

V.     MISSÃO – Jesus nos deu a missão de “falar disto” a todos

 

“Fala disto...”

 

01. Bem, é Paulo que está dizendo aí a Tito “fala disto...”; mas Paulo fala da parte de Cristo, e porque Cristo deixou a ordem de que o evangelho todo fosse pregado a todos.

02. Você consegue citar alguns trechos da Bíblia de onde concluímos que “falar disto”, isto é, falar que a graça de Deus se há manifestado trazendo salvação, é missão nossa?

a.    Que tal Mateus 28.18-20?

b.    E que tal Marcos 16.15?

c.    E Atos 1.8?

d.    E para citar só mais um, que tal 2 Coríntios 5.17-20?

03. Então, JESUS, Transformação e Vida, deu-nos uma missão, transformou-nos em seus “agentes”, pregadores do evangelho. É fantástica a história do endemoninhado Gadareno, por várias razões, sendo uma delas o fato de que Jesus o libertou, transformou e imediatamente fez dele um “missionário”, local, “autóctone”.

 

CONCLUSÃO

 

01. JESUS, Transformação e Vida, pela graça nos salvou, pela graça transformou o nosso relacionamento com Deus, pela graça transformou ou nosso caminho de perdição em caminho de salvação.

02. JESUS, Transformação e Vida, nos remiu de toda iniquidade; se deu a si mesmo para pagar o preço do nosso resgate.

03. JESUS, Transformação e Vida, pelo seu sangue nos purificou para que pudéssemos ser povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras, um povo que vive neste presente século:

a.    sobriamente – desprendido de o que quer que seja deste mundo

b.    justamente – como deve viver alguém que recebeu a retidão de Cristo

c.    e piedosamente – reverentemente diante de Deus e para com Deus

d.    renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas.

04. JESUS, Transformação e Vida, nos deu uma bendita esperança; transformou a nossa desesperança em esperança bendita, a esperança de que Cristo voltará, desta vez não em humilhação, mas em glória, e fará por nós muito mais do que imaginamos ou pensamos.

05. E JESUS, Transformação e Vida, deu-nos uma missão, transformou-nos em seus “agentes”, pregadores do evangelho.

 

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

Igreja Batista em Muqui

Outubro de 2017

 

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

QUE TIPO DE IGREJA PRECISAMOS SER

QUE TIPO DE IGREJA PRECISAMOS SER?

 

1.    “ Como é a sua igreja? ”. Não sei quantos irmãos já ouviram essa pergunta. E logo após ela vem muitas outras sobre a prática de culto, o que ela permite e o que não permite, o que ela crê e o que não crê, que tipo de música canta... e por aí vai.

2.    E às vezes o que ouvimos ou fazemos nem é pergunta, e sim, afirmação. Já sabem, ou já sabemos, ou pelo menos pensam que sabem ou pensamos que sabemos, sobre como é “tal igreja”, e dizem, ou dizemos: é fria... é quente... tem o Espírito Santo... não tem o Espírito Santo... dá glória a Deus... não dá glória a Deus... tem doutrina... não tem doutrina... e por aí vai...

3.    Infelizmente muitas dessas afirmações e muito do interesse que temos ou deixamos de ter por determinada igreja é baseado em superficialidades, coisas que não tem muita importância.

4.    Bem, hoje estamos aqui representando a Primeira Igreja Batista em Muqui e plantando uma Congregação desta igreja, uma igreja que tem sido alvo de algumas das afirmações citadas e outras mais. Mas também temos representantes de outras igrejas que certamente também tem sido alvejadas por muitas destas afirmações. Então, vamos por uns instantes esquecer que somos batistas ou assembleianos ou presbiterianos ou de qualquer outra denominação e vamos simplesmente pensar que aqui hoje, durante o tempo que aqui estivermos, somos uma só igreja. E então vamos pensar, não superficialmente, mas um pouquinho mais aprofundado, um pouquinho mais biblicamente, sobre que tipo de igreja nós precisamos ser?

5.    Obviamente muito se tem a dizer sobre isso, mas o tempo não nos permite. Poderíamos fazer vários encontros para tentar esgotar o tema, mas isso também não é possível, porque só seremos uma só igreja, no sentido local denominacional, ou no sentido de uma só igreja que se reúne em um só lugar, por alguns instantes. Daqui a pouco vamos embora e amanhã cada um estará reunido na sua igreja, no seu local de culto. Então vamos nos limitar a quatro pontos sobre que tipo de igreja precisamos ser.

6.    E o primeiro é:

 

UMA IGREJA SUBMISSA A CRISTO

 

Precisamos ser uma igreja submissa ao senhorio de Cristo

 

1.    Porque Cristo é o “edificador” da igreja – a igreja é de origem divina e é propriedade de Jesus. Jesus não disse que edificaria uma igreja “de Pedro”, ou “de João”, ou “de Tiago” ou de qualquer outro de seus discípulos e nem deixou autorização para quem quer que seja edificar uma igreja para si. Jesus disse “edificarei a minha igreja”.

2.    Porque Cristo é o Cabeça da igreja e a igreja o seu corpo. O Apóstolo Paulo, escrevendo aos Colossenses, no capítulo 1, diz que ele (Cristo) é a cabeça do corpo, que é a igreja. E escrevendo aos Efésios, no capítulo 5, diz que Cristo é a cabeça da igreja e é, ele próprio, o Salvador do corpo.

3.    Porque Cristo é o supremo pastor da igreja e suas ovelhas são apenas aqueles que o ouvem e seguem

a.    As ovelhas de Jesus não ouvem e seguem os seus desejos pessoais – elas ouvem e seguem a Jesus;

b.    As ovelhas de Jesus não ouvem e seguem o mundo – elas ouvem e seguem a Jesus;

c.    As ovelhas de Jesus não ouvem e seguem as insinuações do diabo – elas ouvem e seguem a Jesus.

                                  i.    No episódio da tentação de Jesus há algo interessante: quando Jesus está com fome, o diabo lhe sugere que transforme pedras em pães. Jesus podia fazer isso, e em fazendo isso estaria preservando a sua vida; mas não era essa a orientação do Pai para aquele momento, e Jesus não o fez, mesmo estando com fome, mesmo sendo para preservar sua vida. Isso, dentre outras coisas, nos mostra que preservar a vida física é menos importante do que obedecer a Deus. E o que mais é menos importante que obedecer a Deus? TUDO! Quais as razões que você dá para mentir, para burlar a lei intencionalmente, para falar mal de alguma pessoa, para tratar com indiferença e até mesmo desprezo alguma pessoa, para não perdoar, e tantas outras coisas mais... Quais as razões? Nenhuma delas é mais importante do que ouvir e seguir a Jesus. As ovelhas de Jesus ouvem e seguem a Sua voz.  

4.    Porque a igreja é arraigada e sobre-edificada em Cristo

5.    Porque só uma igreja submissa ao senhorio de Cristo não há de recuar ante a forte oposição de quem quer que seja

a.    Permanecerá em sua fé, firme na Palavra.

b.    Testemunhará de Jesus em qualquer circunstância.

c.    Não negociará a fé.

d.    Não aceitará ser massificada.

e.    Manter-se-á Militante na esperança e certeza de que será Triunfante.

f.     Proclamará a Palavra de Deus, resposta para todos os infortúnios humanos.

g.    Não brincará de ser igreja.

6.    Precisamos ser uma igreja submissa ao senhorio de Cristo

 

7.    E também – segundo ponto – precisamos ser...

 

UMA IGREJA CUJA MENSAGEM SEJA A PALAVRA DE DEUS

 

Precisamos ser uma igreja cuja mensagem seja a Palavra de Deus

 

1.    Há muita pregação hoje em dia que não é pregação da Palavra de Deus. Às vezes até se parece com pregação da Palavra de Deus, mas não é.

2.    Mas nós precisamos ser uma igreja cuja mensagem seja a Palavra de Deus. E há muitas razões para isso, e algumas delas são:

a.    Porque pregar A PALAVRA DE DEUS é o que somos orientados a fazer. O Apóstolo Paulo escrevendo a Timóteo lhe disse: “ Conjuro-te, pois, diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu Reino, que pregues a palavra... ” (2 Timóteo 4:1-2 RC)

b.    Porque chegamos no tempo em que as pessoas estão tendo comichão no ouvido e amontoando para si doutores que lhes falem o que elas querem ouvir, segundo suas próprias concupiscências, como diz Paulo a Timóteo na continuidade do texto citado.

c.    Porque a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus

d.    Porque a Palavra de Deus é a única palavra da qual se pode dizer que é viva e eficaz e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes e que é apta para discernir os pensamentos e as intenções do coração.

e.    Porque nós fomos gerados de novo... pela Palavra de Deus...

f.     Porque a Palavra de Deus é a lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho nesse mundo de trevas...

3.    Renato Vargens, em pequeno texto onde defende a ideia de que a pregação da Palavra de Deus deve ocupar o centro de nossos cultos, apresenta dez razões que bem nos servem aqui:

 

a.    Cristo é exaltado – As Escrituras quando pregadas exaltam o nome do Senhor. É impossível expor a Bíblia sem que o nome do Eterno seja glorificado.

b.    O homem é humilhado – Isto é, a exposição das Escrituras aponta para o estado de miserabilidade do homem. A pregação da Bíblia revela quem somos, nossa pecaminosidade, revelando-nos que fora de Cristo todos estão mortos em seus delitos e pecados.

c.    Somos reanimados no Senhor – As Escrituras quando pregadas trazem sobre a finitude humana o poder infinito de um Deus Soberano proporcionando com isso o reacendimento da chama da esperança.

d.    Nossa psiquê é envolvida por graça – a Palavra de Deus quando pregada traz remédio para a alma cansada, refrigério para o abatido, alento para o desesperançoso.

e.    A Igreja é edificada – Quando a Bíblia é proclamada nossas igrejas são edificadas. A exposição das Escrituras, ao contrário dos movimentos vazios contemporâneos, fazem com que o povo de Cristo cresça no conhecimento do Senhor.

f.     Somos protegidos dos erros doutrinários – Calvino costumava dizer que as Escrituras Sagradas é o escudo que nos protege do erro. A Bíblia quando pregada nos traz orientações importantíssimas que, se aplicadas em nosso cotidiano, nos protegem das heresias e distorções teológicas propagadas pelos falsos profetas.

g.    Nos tornamos pessoas mais comprometidas com Cristo – As Escrituras quando pregadas nos desafiam a viver como Cristo viveu. A Bíblia quando proclamada nos leva a desejarmos viver a vida cristã de forma santa, pura e abnegada.

h.    Vivemos para a glória de Deus – A Bíblia quando pregada leva-nos a querer viver exclusivamente para a glória de Deus.

i.      Ansiamos pela volta do nosso Redentor – As Escrituras quando proclamadas nos levam a uma santa ansiedade pelo glorioso dia em que o Rei dos reis e Senhor dos Senhores voltará para a sua igreja.

j.      Somos reavivados – A Bíblia quando pregada reaviva nossa alma, aquece os corações, desperta-nos para oração, desafia-nos a intercessão enchendo nossos corações com o santo desejo de estar continuamente em sua santa presença.

 

4.    Essa é a igreja da qual eu quero fazer parte; essa é a igreja que precisamos ser; uma igreja submissa ao senhorio de Cristo e uma igreja cuja mensagem seja a Palavra de Deus.

5.    O terceiro ponto é:

 

UMA IGREJA AMOROSA E UNIDA

 

Precisamos ser uma igreja amorosa e unida

 

1.    Porque a igreja precisa ser amorosa?

a.    Porque sem o amor as demais coisas nada valem – Veja 1 Coríntios 13:1-3

                                  i.    Não importa o quão bem você faça qualquer coisa... O que você faz? Você evangeliza? Você toca? Você canta? Você tem o dom da liberalidade? Você prega? Você ensina?...

Ø Você pode evangelizar um a um todos os habitantes de Muqui, mas se não amá-los nada será;

Ø Você pode tocar tão bem que sozinho pareça uma orquestra, mas se não ama...

Ø Você pode cantar tão bem que seu canto atraia multidões e arrebate os corações, mas se não amar...

Ø Você que tem o dom da liberalidade pode doar até a sua roupa do corpo, mas se não amar...

Ø Você que prega pode ser o melhor pregador do mundo, mas se não amar...

Ø E você que ensina, pode ensinar de forma tal que não haja outra sala de estudos que não a sua porque todos querem ser ensinados por você, mas se não amar...

b.    Porque quem não ama a seu irmão não pode amar a Deus – Veja 1 João 4:8, 20 e 21

c.    Porque Jesus nos ensinou que devemos amar até mesmo aos nossos inimigos – Veja Mateus 5:44-46

d.    Porque o amor é a evidência de que somos discípulos de Jesus – Veja João 13:35

 

2.    E porque a igreja precisa ser unida?

a.    Porque quando há união entre os irmãos a graça de Deus se manifesta abençoando. Veja o Salmo 133.

b.    Porque a união ou comunhão é resultado natural do amor fraterno.

c.    Porque a união ou comunhão é a expressão de vida no Corpo de Cristo.

d.    Porque a união ou comunhão é necessária para que o mundo creia em Jesus como o Enviado de Deus (João 17:21).

e.    Porque Jesus disse que uma casa dividida contra si mesma não pode subsistir (repitam isso comigo: uma casa dividida contra si mesma não pode subsistir). Por isso a união/comunhão é uma das características fundamentais da Igreja de Jesus.

 

3.    Vamos relembrar:

a.    Precisamos ser uma igreja submissa a Cristo

b.    Precisamos ser uma igreja cuja mensagem seja a Palavra de Deus

c.    Precisamos ser uma igreja amorosa e unida

4.    E agora, por último:

 

UMA IGREJA DE JOELHOS

 

Precisamos ser uma igreja de joelhos

 

1.    Porque uma igreja de joelhos é uma igreja que aprendeu que ela, por “melhor” que seja, por mais “poderosa” que seja, não é autossuficiente.

2.    John F. MacArthur Jr., em “Chaves Para o Crescimento Espiritual” tem uma interessante palavra sobre a oração:

 

“O cristianismo é a coisa mais maravilhosa que existe no universo! No entanto, muitos de nós temos de ser constantemente lembrados de como é maravilhosa a vida cristã. Precisamos apenas dar uma olhada no livro (carta) de Efésios, o qual nos mostra que somos ricamente abençoados (1:3), escolhidos (1:4), aceitos (1:6), e perdoados (1:7). Em Cristo somos sábios (1.8), ricos (1.11), e estamos seguros (1.14). Estamos vivificados com vida nova (2.5). Somos objetos da graça eterna (2.7). Somos obra prima de Deus (2.10) e estamos próximos de Deus, em uma união misteriosa com Ele e com todos os outros crentes (2.13). Somos um corpo (2.16), com acesso a Deus por meio do Espírito (2.18). Somos o templo de Deus (2.21) e a habitação do Espírito (2.2). E em nós opera o poder de Deus (3.20). Que declarações extraordinárias! Quão grandiosa é a vida cristã quando examinada à luz do que somos em Cristo! Não precisamos merecer essa posição exaltada, pois ela já é nossa através de nossa salvação no Senhor Jesus Cristo... Os três últimos capítulos de Efésios vão além desse aspecto posicional de nossa vida cristã, entrando no aspecto prático. Por exemplo, devemos andar inteligentemente (4.17), andar no amor de Deus (5.2) e andar na luz (5.8). Essa apresentação do aspecto prático do cristianismo não tem semelhante em toda a Palavra de Deus. Qualquer crente que estudar Efésios cuidadosamente e concluir que falta alguma coisa em sua vida, estará errado. Não precisamos ter mais do Espírito Santo, mais amor, mais graça ou de qualquer outra coisa. Em Cristo, temos tudo. Temos tudo que precisamos para crescer e alcançar a maturidade. Aqui, porém, surge um problema potencialmente destrutivo. Eu o chamo de super confiança espiritual ou egoísmo doutrinário. Há um perigo latente na vida dos crentes que possuem um conhecimento profundo de doutrinas e uma compreensão efetiva dos princípios espirituais práticos. É o perigo de se tornarem autossuficientes e acharem que não precisam de nada. Então, a oração constante, fervorosa e que procede do fundo do coração não será encontrada em suas vidas. ... Por terem conhecimento, permitem que uma autodependência evolua, eliminando a vitalidade de uma verdadeira vida de oração. Paulo ordena que os crentes orem sem cessar, a fim de se guardarem desse perigo. Ele nos chama a uma vida de oração. Não importa o quanto já temos em Cristo, temos de orar. A oração é uma chave essencial para o crescimento espiritual.

 

3.    Léo Francisco Pais, em seu livro “Oração”, ao falar sobre a importância da oração, destaca várias razões, dentre elas:

 

a.    A oração ocupou o centro do ministério público de Jesus – Em Marcos 1.35 encontramos o Mestre em privação do sono para dedicar-se ao labor da oração. Houve ocasiões em que ele passou noites inteiras em oração. Lucas 6.12 nos revela uma dessas noites.

b.    A oração ocupou o centro do ministério apostólico – Veja Atos 6.1-4.

c.    A oração ocupa o centro do ministério atual de nosso Senhor Ressurreto – Veja Hebreus 7.23-25 e 9.24.

d.    A oração é o meio pelo qual entramos em comunhão com Deus – A oração é um lugar de encontro entre o Pai e o filho querido.

e.    A oração é o meio pelo qual recebemos as coisas que pedimos a Deus – Veja Mateus 7.7 e 8.

f.     A oração é a maior obra que Deus requer dos cristãos.

g.    A oração é a preparação do caminho do Senhor.

h.    A oração do cristão é a semente de todo avivamento espiritual.

 

4.    E se assim o é, com toda certeza precisamos ser uma igreja de joelhos.

 

CONCLUSÃO

 

1.    Então, resumindo e encerrando, que tipo de igreja precisamos ser?

a.    Precisamos ser uma igreja submissa a Cristo

b.    Precisamos ser uma igreja cuja mensagem seja a Palavra de Deus

c.    Precisamos ser uma igreja amorosa e unida

d.    Precisamos ser uma igreja de joelhos

2.    Nós precisamos ser essa igreja, e São Gabriel (Camará), Muqui, o Brasil e o mundo, ainda que não saibam e não reconheçam, precisam de uma igreja assim.

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

 

Preparado para ser pregado na inauguração da Congregação na localidade de Camará (São Gabriel) na cidade de Muqui.

 

30 de Setembro de 2017