terça-feira, 31 de julho de 2012

O Amor de Deus


O AMOR DE DEUS

 

 

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.” (João 3:16-18 RC)

 

01. Tozer, em o livro “Mais Perto de Deus”, escreve sobre, dentre outros atributos de Deus, o Seu amor. É tão profundo o que ele escreveu que minha vontade é ler todo o texto para os irmãos. Entretanto, o espaço e o tempo que tenho para esse sermão me permite presenteá-los com apenas um trechinho. Escolhi, então, a parte em que ele diz que...

 

... sendo Deus auto-existente, o Seu amor não teve início; sendo eterno, o Seu amor não pode ter fim; sendo infinito, não tem limites; o Seu amor é o mais alto grau concebível de pureza imaculada; sendo imenso, o Seu amor é um mar incompreensivelmente vasto, profundo e sem praia, perante o qual nos ajoelhamos em jubiloso silêncio, e do qual a mais sublime eloquência se retrai, confusa e envergonhada. / Porém, se quisermos conhecer a Deus e, para o bem do próximo, contar o que sabemos, temos de falar do Seu amor. Todos os cristãos já tentaram, mas nenhum conseguiu fazê-lo perfeitamente. Não posso fazer justiça a esse maravilhoso tema, da mesma forma como uma criança não pode agarrar uma estrela. Todavia, a criança poderá chamar a atenção sobre a estrela se esticar os braços para ela, podendo até indicar a direção em que teremos de olhar para vê-la. Assim sendo, enquanto estendo meu coração em direção ao alto e brilhante amor de Deus, alguém que nunca antes teve conhecimento desse amor, poderá animar-se a olhar para cima e ter esperança.

 

02. Nosso assunto hoje é também esse, o amor de Deus, e, se Deus me conceder ser instrumento para fazer com que você olhe para Ele atentando com seriedade sobre o que Ele diz em Sua Palavra sobre o Seu amor, me darei por satisfeito.

a.    Por atentar com seriedade quero dizer observar atentamente as importantes verdades pelas quais esse atributo divino está envolto.

b.    Clareando mais ainda, quero que você atente para o fato de que o amor que Deus tem por você é tão grande que é-nos impossível dimensioná-lo, e que por amá-lo Ele deu, como diz João, o Seu Filho Unigênito para salvar você; mas quero que você atente também para um outro fato deliberadamente ignorado por milhões de pessoas, que é o fato de que, apesar de todo o amor que tem por você, Ele só irá salvá-lo se você crer nele, porque, conforme vamos expor mais adiante, o amor de Deus não anula a Sua justiça.

03. Então meu querido, preste bem atenção.

04. Primeira coisa na qual você deve prestar bastante atenção:

 

I. O amor de Deus fez com que Ele não se importasse de humilhar-se a si mesmo.

 

01. Mas antes de falar da humilhação propriamente dita à qual Deus se submeteu, é preciso falar sobre a divindade de Jesus.

a.    É preciso que esteja bem arraigado em nossa mente o fato de que Jesus é Deus, uma vez que a humilhação sobre a qual falaremos atribuindo-a a Deus foi Jesus quem a sofreu.

b.    Jesus é Deus na pessoa do Filho, assim aprendemos pela Palavra.

c.    A doutrina da Trindade é uma doutrina bíblica através da qual aprendemos que há apenas um Deus, mas, na unidade da divindade, há três pessoas iguais e eternas entre si, idênticas em substância, mas distintas em existência.

d.    O Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito é Deus. Há um só Deus, mas que se manifesta nestas três pessoas distintas.

e.    Acerca disso lemos em João 1.1 sobre Jesus: “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” (João 1:1 RC)

02. Pois bem, esse Jesus, que é Deus, não se importou de humilhar-se a si mesmo em nosso favor, porque nos ama.

03. Paulo, escrevendo aos Filipenses, falando de Jesus, diz que ele, mesmo...

 

... sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz.” (Filipenses 2:6-8 RC)

 

04. Escrevendo aos Gálatas, Paulo diz que

 

“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós, porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro;” (Gálatas 3:13 RC)

 

05. Esse Deus que é Onipotente,

a.    esse Deus que pode, conforme se expressava Tozer, fazer qualquer coisa difícil com a mesma facilidade com que realiza as coisas mais simples;

b.    esse Deus que tem em Suas mãos todo o poder do universo;

c.    esse Deus cujos atos, todos eles, são feitos sem esforço, haja vista a criação conforme relatada em Gênesis;

d.    esse Deus que não desgasta a Sua energia e nem precisa recuperar forças;

e.    esse Deus que não precisa buscar fora de Si mesmo uma renovação de poder, porque todo o poder está plenamente contido dentro do Seu próprio ser infinito;

 

... não se importou de humilhar-se a si mesmo por amor a você.

 

06. Esse Deus que é santo, puro,

a.    não “um pouco” puro

b.    e nem mesmo “muito” puro,

c.    mas absolutamente, desmedidamente, infinitamente puro, de uma forma tal que nem pode ser mais puro do que é;

 

... não se importou de humilhar-se a Si mesmo e levar sobre Si, na cruz, por amor a você, os teus pecados.

 

07. Esse Deus que é

a.    Auto-Existente,

b.    Auto-Suficiente,

c.    Eterno,

d.    Infinito,

e.    Onisciente,

f.      Onipresente,

g.    E muitas outras coisas maravilhosas mais...

 

... não se importou de humilhar-se a Si mesmo, tornar-se homem, sofrer a vergonha da cruz levando sobre SEUS ombros as TUAS culpas, porque ama você.

 

08. O amor de Deus faz com que Ele não se importe de humilhar-se a si mesmo.

09. Deus amou... e porque amou deu o Seu Filho Unigênito... deu-se a Si mesmo na pessoa do Filho.

10. Esse fato, meu irmão, deveria nos fazer...

a.    Render a Deus o nosso coração;

b.    Amar mais a Deus e também ao nosso próximo;

c.    Olhar mais para Deus;

d.    Nos envolver mais nas coisas de Deus;

e.    Cuidar mais acerca do caminho que estamos trilhando com os nossos pés;

f.      Cuidar mais acerca daquilo que estamos por vontade própria a contemplar com os nossos olhos;

g.    Cuidar mais acerca daquilo que estamos por vontade própria falando com os nossos lábios;

h.    Deixar todo o embaraço e todo o pecado e correr com paciência a carreira que nos está proposta;

i.      Buscar as coisas que são de cima;

j.      Pensar nas coisas que são de cima;

k.    Mortificar a nossa natureza carnal;

l.      Nos despirmos de todos os maléficos defeitos mundana, carnal e diabolicamente impregnados em nós e nos vestirmos de todas as qualidades geradas nas alturas celestiais...

 

11. Tem sido assim com você?

12. Se não tem sido assim, precisa ser assim, e desafio você a que decida que será assim em sua vida, que o amor de Deus será a sua “inspiração” para viver uma vida santificada, cada vez mais consagrada ao Senhor.

13.  Segunda coisa na qual você deve prestar bastante atenção:

 

II. O amor de Deus não anula a Sua justiça.

 

01. João fala sobre esse amor de Deus dispensado a nós de forma tão grandiosa, mas fala também de pessoas que não creem.  Jesus não veio para condenar; Jesus veio para salvar; mas aquele que não crer já está condenado por não crer no Unigênito Filho de Deus.

02. Isso demonstra o fato de que o amor de Deus não anula a sua justiça.

03. Um pouco mais adiante João vai dizer que aquele que crê em Jesus tem a vida, mas aquele que não crê tem permanecendo sobre ele a ira de Deus.

04. A justiça, meus queridos, conforme já dizia A.W. Tozer, incorpora a ideia de retidão moral e a iniquidade é o seu exato oposto.

05. Iniquidade é “não retidão”, “não igualdade” dos pensamentos e atos humanos em relação a Deus.

06. O juízo é a aplicação da “retidão” divina à “não retidão” humana.

07. Por isso João diz: “está condenado” ou “sobre ele permanece a ira de Deus”, porque que ser humano há que possa resistir a esse confronto da equidade de Deus com a sua iniquidade?

08. E a aplicação da justiça divina, meus queridos, é algo tão “terrível” que talvez só possamos falar dela exemplificando.

a.    Um exemplo temos na parábola do rico e Lázaro, contada por Jesus e registrada por Lucas. Ela retrata, dentre outras coisas, um homem consumadamente condenado a clamar tardiamente por misericórdia, por uma gota de água que fosse, sem o poder receber, porque a equidade de Deus já havia vindo sobre ele e o encontrara em completo estado de iniquidade.

b.    No Antigo Testamento, em Números 16, temos uma história, a história da rebelião de Coré, Datã e Abirão, que também serve bem de ilustração do que temos dito aqui acerca da aplicação da justiça divina apesar de Seu amor. O final da história desses homens e de outros que os acompanharam na rebelião é assim narrada:

 

“E a terra abriu a sua boca e os tragou com as suas casas, como também a todos os homens que pertenciam a Coré e a toda a sua fazenda. E eles e tudo o que era seu desceram vivos ao sepulcro, e a terra os cobriu, e pereceram do meio da congregação. E todo o Israel, que estava ao redor deles, fugiu do clamor deles; porque diziam: Para que, porventura, também nos não trague a terra a nós. Então, saiu fogo do SENHOR e consumiu os duzentos e cinqüenta homens que ofereciam o incenso.” (Números 16:32-35 RC)

 

c.    Em Apocalipse 20 lemos que o diabo, a besta e o falso profeta, bem como todos aqueles cujos nomes não estiverem inscritos no livro da vida por terem rejeitado a Cristo e, consequentemente, o amor de Deus, serão lançados num lugar chamado lago de fogo e ali sofrerão tormentos para todo o sempre.

d.    John Bunyan (1628 – 1688) escreveu uma alegoria a que ele intitula “Visões do Céu e do Inferno”. É apenas uma alegoria, mas uma alegoria é um modo indireto de se representar outra coisa ou ideia, e, no caso da alegoria de John Bunyan, ele está representando a verdade bíblica acerca do céu e do inferno através da história fictícia de alguém a quem ele denominou Epenetus. Nessa alegoria há uma parte em que uma alma perdida, já no inferno, fala sobre os sofrimentos dali. Veja o que ela diz, lembrando que é ficção, mas ficção baseada em verdades bíblicas:

 

Nossos sofrimentos neste calabouço infernal são de dois tipos. Vejamos primeiro o que nós perdemos quando viemos para cá.

 

1) Neste lugar sombrio de sofrimento e tristeza nós perdemos a presença do Deus bendito. É isso que transforma este calabouço em inferno... Se pudéssemos ver o rosto de Deus, pelo menos durante um instante, e receber qualquer favorzinho dele, já seria muito tolerável aqui. Mas este é o nosso destino, afastado dele, eternamente.

2) Com a nossa vinda para cá, perdemos a comunhão dos santos. Aqui, a nossa única companhia é a presença dos demônios atormentadores.

3) Aqui, perdemos toda esperança de ir para o céu, o lugar de onde vem toda felicidade. Há um abismo enorme entre nós e o céu, um abismo que somos incapazes de transpor...

4) O que piora mais ainda a nossa desgraça, acabou toda a nossa esperança. O homem mais miserável sobre a terra ainda tem esperança, mas nós aqui não temos... Só esta falta de esperança é castigo de sobra para as nossas almas desgraçadas...

 

Agora vou lhe dizer o que nós padecemos neste lugar.


1) Nossos tormentos são muitos... Na terra as pessoas podem sofrer de uma ou duas coisas de uma vez. Aqui sofremos de muitas. Se alguém sofresse com gripe, com enxaqueca, cálculos renais e reumatismo na mesma hora, se julgaria dos mais infelizes. No entanto, tudo aquilo é como a picadinha de uma pulga em comparação com o que sofremos neste lugar. Estamos no inferno, o lugar em que o fogo não se apaga. Estamos num lago de enxofre que tira o nosso fôlego, mas não deixamos de existir...

2) ... os tormentos... são onipresentes, atormentam todos os membros do corpo e a alma simultaneamente. Nas doenças terrestres nem todos os nossos membros são atingidos. A cabeça pode estar doendo, mas os braços e as pernas estão sãos. A barriga pode estar doendo, mas a cabeça não. Aqui não é assim. Todos os membros do corpo e a alma doem. O olho está atormentado com a visão dos demônios deformados pelo pecado, que não saem de sua frente. O ouvido está continuamente atormentado pelos gritos angustiantes dos desgraçados. As narinas ardem incessantemente por causa das chamas sulfúricas, que também criam borbulhas na língua. Aliás, o corpo todo dói o tempo todo por causa destas chamas. Os próprios pensamentos doem só de pensar no que perdemos eternamente, quando teria sido tão fácil escolher outro destino...

3) Outra coisa que toma o sofrimento insuportável é a severidade destes tormentos. O fogo que nos lambe é tão violento que toda a água de todos os mares não seria capaz de apagá-lo. As dores que sentimos são tão terríveis que apenas nós, que as sentimos, entendemos o que é o inferno.

4) Mais um detalhe sobre o nosso sofrimento, é o fato de ser interminável. Além de violento e onipresente, este sofrimento nunca terá fim. Não temos nem um segundinho de descanso...

5) Outra coisa que nos atormenta aqui são as nossas companhias. Os demônios atormentadores não nos deixam em paz. Os gritos horripilantes, as maldições, os gritos de dor, são a nossa única conversação. A presença destes demônios só serve para aumentar a nossa dor.

6) [...]

7) A crueldade dos nossos algozes é outra coisa que aumenta os nossos tormentos, pois são demônios, e como se sabe, esta raça não tem dó de ninguém. Aliás, muito pelo contrário, sentem grande prazer em atormentar os desgraçados.

 

09. Parece terrível para você?

10. Não só parece... é terrível, de fato.

11. Preferia não ouvir uma coisa dessas?

12. Mas precisamos ouvir, e precisamos falar sobre, porque a bíblia fala sobre isso; Deus, pela Sua Palavra, nos alerta quanto a essa realidade e “ai de nós se deixarmos de avisar”. Ao Profeta Ezequiel Deus disse:

 

“Filho do homem, eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; e tu da minha boca ouvirás a palavra e os avisarás da minha parte. Quando eu disser ao ímpio: Certamente morrerás; não o avisando tu, não falando para avisar o ímpio acerca do seu caminho ímpio, para salvar a sua vida, aquele ímpio morrerá na sua maldade, mas o seu sangue da tua mão o requererei. Mas, se avisares o ímpio, e ele não se converter da sua impiedade e do seu caminho ímpio, ele morrerá na sua maldade, mas tu livraste a tua alma. Semelhantemente, quando o justo se desviar da sua justiça e fizer maldade, e eu puser diante dele um tropeço, ele morrerá; porque, não o avisando tu, no seu pecado morrerá, e suas justiças que praticara não virão em memória, mas o seu sangue da tua mão o requererei. Mas, avisando tu o justo, para que o justo não peque, e ele não pecar, certamente viverá, porque foi avisado; e tu livraste a tua alma.” (Ezequiel 3:17-21 RC)

 

13. Que fique bem claro então na mente de todos nós: O AMOR DE DEUS NÃO ANULA A SUA JUSTIÇA! E é por isso que João diz que há pessoas ainda condenadas, há pessoas ainda debaixo da ira de Deus, a saber: aqueles que não creem em Jesus, aqueles que não estão em Jesus.

14. Entretanto, João diz também que, e essa é a terceira coisa na qual você deve prestar bastante atenção:

 

III. O amor de Deus faz com que Ele justifique aquele que se lança aos pés de Cristo com fé, clamando por misericórdia e perdão.

 

01. João diz que aquele que crê tem a vida eterna.

02. Ter a vida eterna implica em ter sido justificado por Deus.

03. Na justificação,

a.    a justiça de Cristo é atribuída ao pecador que se rendeu a ele,

b.    a justiça de Cristo é atribuída ao pecador que se lançou aos seus pés, arrependido, clamando por misericórdia e perdão.

04. Em Romanos 4.25, lemos acerca de Jesus Cristo que ele “... por nossos pecados foi entregue e ressuscitou para nossa justificação.”

05. Em Romanos Atos 13.38-39, Paulo, discursando na Sinagoga de Antioquia da Pisídia, assim diz, com veemência, acerca de Jesus: “Seja-vos, pois, notório, varões irmãos, que por este se vos anuncia a remissão dos pecados. E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados, por ele é justificado todo aquele que crê.”

06. Em alguns trechos de Romanos 8 assim lemos: “Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós... Quem (n)os condenará? Pois é Cristo quem morreu ou, antes, quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós.”

07. Cristo morreu por nós, e agora intercede por nós, e se cremos nele, se estamos nele, ninguém pode ser contra nós no sentido de ter poder para nos separar de seu amor – em Cristo fomos justificados de nossos pecados.

08. A justificação é um ato de Deus que trata de Sua relação com o homem.

09. Antes de o pecado entrar no mundo, havia íntima comunhão e amor entre Deus e o homem. Mas, pelo pecado da desobediência, essa relação foi quebrada e o homem teve que fugir da presença de Deus. A justificação é a restauração do homem àquela posição original de comunhão, e pode ser definida como uma mudança de estado de culpa e consequente condenação, para o estado de absolvição e aceitação.

a.    Empregamos aqui o vocábulo absolvição, mas na realidade a Justificação é muito mais do que simples absolvição. Quando alguém é absolvido em um tribunal, isso significa que foi provado que ele não cometeu o crime, e, portanto, o juiz o declara livre de qualquer culpa e pena. Ele não pode ser acusado e julgado novamente pelo mesmo crime sem a apresentação de novas evidências que provem a sua culpa.

b.    Contudo, não há duvida da culpa do homem diante de Deus. A Bíblia declara enfaticamente que o homem é pecador e, portanto, culpado diante de Deus... Diante do tribunal de Justiça divino ele está condenado, mas Jesus Cristo, que foi achado sem culpa alguma, tomou o lugar do pecador e pagou a sua pena, satisfazendo assim as exigências da lei.

c.    Então o culpado é julgado em Cristo e absolvido na base de que a pena foi paga por Cristo.

d.    Por estar em Cristo ele não pode ser achado com culpa.

e.    É por isso que Deus, através do apóstolo Paulo, declara, em Romanos 8.1, que não resta mais nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus.

f.      Deus se torna novamente, então, favorável a nós. Efésios 1.6 e 7 nos diz que segundo a riqueza da graça de Deus, que Ele tornou abundante para nós, fomos remidos dos nossos pecados, redimidos pelo sangue de Jesus, e, em Jesus, nos tornamos novamente agradáveis a Deus.

10. Meu amado irmão, isso não é maravilhoso? Deus perdoa os nossos pecados; Deus Elimina a nossa culpa diante d’Ele, e isso Ele o faz imputando a nós a justiça de Cristo.

11. No Antigo Testamento temos a historia da libertação de Israel do Egito.

a.    Dez pragas terríveis se abateram sobre o Egito antes de Faraó deixar ir o povo de Israel.

b.    De todas estas pragas o povo de Deus, Israel, foi livre.

c.    A última das dez pragas, a da morte dos primogênitos, é especialmente terrível, e a maneira de que Deus se utilizou para livrar o seu povo fala profundamente ao nosso coração.

d.    O anjo da morte passaria naquela noite derradeira do povo de Israel no Egito, e cada família israelita deveria espargir, nos umbrais e nas vergas das portas de suas casas, o sangue do cordeiro que deveria ser imolado naquela ocasião.

e.    E, em o anjo passando e vendo o sangue, entenderia que aquela casa deveria ser poupada.

12. De forma ilustrativa, meus amados irmãos, essa história fala profundamente ao nosso coração, porque nos faz lembrar que nós, aqueles que um dia se renderam a Cristo pela fé, que se lançaram aos pés de Cristo com fé, clamando por misericórdia e perdão, fomos marcados por Deus com o sangue de Jesus vertido na cruz e estamos, por essa causa, justificados e salvos.

13. É o amor de Deus que faz isso!

 

Conclusão

 

01. Enquanto eu trabalhava nesse sermão recebi um e-mail do vida.net; um artigo intitulado “Esqueceram de Mim”, escrito pelo pastor Márcio Tunala, um dos pastores da Igreja Batista do Bacacheri – Curitiba. Parte do artigo diz:

 

Entre muitas notícias que li em um site uma me chamou a atenção. No dia 03 de agosto de 2008, uma menina de três anos de idade foi “esquecida” pelos pais no aeroporto de Tel Aviv, segundo o jornal israelense “Haaretz”. Os pais, que tem cinco filhos, embarcaram para Paris no domingo. Segundo o jornal, a menina foi encontrada na loja Duty Free por um policial do aeroporto. Ao identificarem os pais, os policiais ainda levaram a menina para o portão de embarque do vôo, mas, o avião já havia decolado. Segundo a reportagem, os pais só deram conta da falta da menina 45 minutos depois que o avião decolou quando foram informados pelo piloto que havia sido avisado pela polícia. Cerca de duas horas depois, a menina embarcou para Paris em outro vôo, acompanhada por uma comissária de bordo.

 

... A família, dependendo do momento de stress que vive, pode cometer erros bem mais graves que este, como por exemplo esquecer um bebê no carro embaixo do sol escaldante levando a criança até mesmo a morte. Isso já aconteceu inúmeras vezes, infelizmente...

 

[Mas] Uma coisa eu sei convictamente: Deus não se esquece de ninguém. A Bíblia tem um texto que afirma isto: “Acaso pode uma mulher esquecer-se de seu filho que ainda mama, de maneira que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele,eu, todavia, não me esquecerei de ti” (Isaías 49:15)

 

02. Deus não se esquece de você, meu amado! Ele te ama!

03. Deus não desampara você. Ele te ama!

04. Ele não se importou de humilhar-se a si mesmo para manifestar o quanto te ama.

05. Mas o fato de Ele te amar não anula a Sua justiça...

06. ... Ele, porque te ama quer salvar você, mas só fará isso se você crer, se você se lançar aos pés de Cristo, com fé, clamando por misericórdia e perdão.

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

prwalmir@hotmail.com

 

 

 


 

FONTES BIBLIOGRÁFICAS:

 

E-book de Sermões e Ilustrações, do Pr. Walter Pacheco

Esboço de Teologia Sistemática, de A. B. Langston

Estudo sobre a doutrina da Justificação, do Pastor Martin Kleefeldt

Mais Perto de Deus, de A. W. Tozer

Revista “Doutrinas Avançadas”, de Jonanias Soares de Menezes

Visões do Céu e do Inferno, de John Bunyan

segunda-feira, 30 de julho de 2012

A celebração da ceia do Senhor


A CELEBRAÇÃO DA CEIA DO SENHOR

 

1.    Hoje estaremos celebrando a Ceia do Senhor.

2.    Foi o Senhor Jesus quem a institui na noite anterior à sua crucificação. Assim diz o texto bíblico:

 

“... o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei: isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue: fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha.” (1 Coríntios 11:23-26 DO)

 

3.    Mas, qual o sentido, qual o significado, o que é a Ceia do Senhor?

4.    Possui ela alguma “propriedade sobrenatural”?

5.    A resposta é “não”. A Ceia é um cerimonial simples;

a.    Importante, mas simples;

b.    Que não devemos jamais deixar de lado, esquecer, mas simples;

c.    Passa uma mensagem profunda, mas ela, em si mesma é simples.

d.    Pelo menos é essa a conclusão que podemos tirar quando fazemos uma leitura da Bíblia.

6.    Vejamos algumas conclusões a que a Bíblia nos leva sobre a celebração da Ceia do Senhor.

 

I. Primeiramente, por aquilo que lemos na Bíblia sobre a Ceia do Senhor entendemos tratar-se ela de uma ordenança.

 

1.    A Ceia do Senhor é uma ordenança que ele nos deixou.

2.    Mas o que é uma ordenança?

3.    Vamos entender o que é uma ordenança. Quem vai nos ajudar é Henry Clarence Thiessen através de seu livro “Palestras em Teologia Sistemática”.

4.    Para isso precisaremos ver, primeiramente, também ajudados por Thiessen, o significado de mais duas palavras: símbolo e rito.

a.    Símbolo: É a representação visível de uma verdade invisível.

b.    Rito: É um símbolo que é usado com regularidade e intenção sagrada.

c.    Ordenança é, então, “um rito externo ordenado por Cristo para ser administrado na Igreja, como sinal visível da verdade salvadora da fé cristã”, ou, poderíamos também dizer, é a representação visível (através do pão e do vinho) de uma verdade invisível (a verdade da graça salvadora através do sacrifício que Cristo fez por nós no passado), representação esta feita com regularidade e intenção sagrada (no nosso caso, uma vez por mês como forma de culto memorial)

5.    Nesse sentido então, nós só encontramos na Bíblia duas ordenanças: o Batismo e a Ceia do Senhor.

6.    Temos muitas “ordens” para nós na Bíblia, mas apenas estas duas se encaixam na definição de ordenança.

7.    Veja o que dizemos em nossa declaração doutrinária (Batista – CBB) a partir de um entendimento sobre o assunto:

 

O batismo e a ceia do Senhor são as duas ordenanças da igreja estabelecidas pelo próprio Jesus Cristo, sendo ambas de natureza simbólica. O batismo consiste na imersão do crente em água, após sua publica profissão de fé em Jesus Cristo como Salvador único, suficiente e pessoal. Simboliza a morte e sepultamento do velho homem e a ressurreição para uma nova vida em identificação com a morte, sepultamento e a ressurreição do Senhor Jesus Cristo é também prenúncio da ressurreição dos remidos... A ceia do Senhor é uma cerimônia da igreja reunida, comemorativa e proclamadora da morte do Senhor Jesus Cristo, simbolizada por meio dos elementos utilizados: O pão e o vinho. Neste memorial o pão representa seu corpo dado por nós no calvário e o vinho simboliza seu sangue derramado...

 

8.    Passemos à segunda conclusão:

 

II. A Ceia do Senhor é um memorial.

 

1.    Um memorial é um marco, uma cerimônia, um escrito ou outra coisa qualquer que vise servir como lembrança de algo.

2.    Lemos que Jesus ao instituir a Ceia disse aos seus discípulos: “fazei... em memória de mim”.

3.    Esse é o “olhar para trás”, um olhar histórico com o objetivo de recordar de Jesus em todos os eventos de sua vida, especialmente de sua morte.

4.    O povo de Israel era acostumado com memoriais. No A. T. encontramos vários deles. Vejamos apenas alguns:

a.    Êxodo 12 – uma narrativa acerca da saída do Povo de Israel do Egito. Se quiser veja lá todos os detalhes. O que quero destacar é o que encontramos no verso 14: “E este dia vos será por memória, e celebrá-lo-eis por festa ao Senhor; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo”. Trata-se da Páscoa dos Judeus – uma festa memorial.

b.    Josué 4.1-7 – Uma edificação memorial da passagem pelo Jordão.

c.    Esdras 6.1-5 – Um escrito memorial de uma ordem do rei Ciro acerca da reconstrução do templo de Jerusalém.

5.    A Ceia do Senhor é o nosso memorial, um memorial, como já foi dito, de Jesus em todos os eventos de sua vida, especialmente de sua morte, incluindo-se a razão da mesma.

6.    A terceira conclusão é a de que...

 

III. A Ceia do Senhor é uma pregação.

 

1.    Aliás, os memoriais em geral têm essa função de apregoar algo.

2.    Voltando a Josué, Deus lhe disse para erigir o altar de pedras como memorial e disse que mais tarde na história os pequeninos veriam o altar e perguntariam sobre ele e então a história lhes deveria ser contada.

3.    A Ceia do Senhor é uma pregação acerca daquilo que Jesus fez por toda a humanidade; uma pregação sobre sua morte na cruz e a razão porque ele morreu, e uma pregação acerca daquilo que ainda será – (“... até que venha”).

4.    E a quarta e última conclusão para hoje é que...

 

IV. A Ceia do Senhor é uma declaração de fé e esperança.

 

1.    Quem participa da Ceia do Senhor legitimamente está declarando que crê em Cristo e em seu sacrifício vicário, e que, por crer, tem parte no Corpo de Cristo.

2.    Também está incluída a declaração de fé no retorno de Cristo (“... até que venha”)

 

Concluindo

 

1.    A Ceia do Senhor é uma ordenança, e o é para toda a igreja e não para alguns em especial.

a.    Sendo assim, aqueles da igreja, crentes genuínos, que não se preocupam em observá-la, que não se preocupam em se reunirem na e com a igreja no dia em que se celebrará a Ceia, por motivos banais, estão duplamente errados: 1) errados por faltarem à toa (Hebreus 10.25) e 2) errados por não se preocuparem em observar aquilo que Jesus ordenou.

2.    A Ceia do Senhor é um memorial.

a.    Diante disso, é válida a pergunta: você sabe o que você está relembrando ao participar da Ceia? Você já se preocupou em ler/estudar pelo menos os evangelhos?

3.    Juntando os dois últimos pontos, a Ceia do Senhor é uma pregação e uma declaração de fé e esperança.

a.    Diante disso, é oportuna a pergunta: se algum familiar, amigo ou conhecido seu estivesse presente no culto vendo você participar dessa celebração o que ele diria? Será que ele diria que a sua vida é condizente com aquilo que você está pregando e declarando crer e esperar, ou diria o contrário?

4.    (Encerrar dando um tempo para reflexão e oração pessoais e depois passar à celebração).

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves